Crônica de Um Desempregado

Quando um candidato à uma oportunidade de trabalho, e que está há um considerável tempo desempregado, entra no desespero de se humilhar para conseguir a sua empregabilidade garantida, é sinal de que algo está muito errado no mercado de trabalho…

Os 5 Sinais Inconfundíveis de Um Candidato Desesperado

Prólogo

A poucos dias, lendo comentários sobre artigos anteriores que eu escrevi, me deparei com a sugestão de leitura de um texto (espetacular, diga-se de passagem) da cronista, consultora e colaboradora da coluna Leadership na Forbes, Lyz Ryan, publicado recentemente (09/01/2016) com o titulo: Five Unmistakable Signs of a Desperate Job-Seeker, o qual sugiro fortemente que leiam, ou favoritem pelo menos.

Particularmente, tomei a liberdade, com a ajuda de meu filho, de traduzir e interpretar o texto, o qual transcrevo abaixo, e sobre o qual eu comentarei aos poucos.

Resumindo para introduzir o contexto, o texto é dividido em duas partes, sendo a primeira parte, uma missiva de um leitor da coluna, identificado apenas como Derek, e a resposta de Lyz à carta, fazendo as suas devidas considerações (e que considerações – literalmente um soco na boca do estômago, por assim dizer!).

Mas vamos ao texto, primeiro com a carta, seguida de minhas considerações particulares sobre a mesma:

Cara Lyz,

Eu estou procurando emprego e não tenho certeza de como lidar com duas situações diferentes de entrevista nas quais eu estou envolvido. Podemos chamá-las de Empresa A e Empresa B.

Eu tive uma boa entrevista de triagem na Empresa A, cinco semanas atrás, e recebi uma mensagem de e-mail da recrutadora, uma semana depois. Ela queria marcar uma entrevista com a gerente de contratação, Carolyn. Levou duas semanas para agendar essa reunião.

Eu devia ir ao escritório da empresa às 3 horas da tarde, mas às 9 horas na data da entrevista eles me pediram para vir às 2 horas em vez disso.

Eu não estou trabalhando, então eu disse “Claro. Quando cheguei ao local às 2 horas, a recepcionista não conseguiu localizar Carolyn.

Eu me senti mal pela recepcionista, porque ela deve ter chamado umas seis pessoas tentando localizar Carolyn.

O telefone de Carolyn estava caindo direto no correio de voz. Às duas e meia eles finalmente conseguiram falar com Carolyn, que estava na pré-escola do seu filho. De alguma forma houve uma falha de comunicação e ela pensou que nossa entrevista estava marcada para um dia diferente.

Fui para casa e escrevi para a recrutadora. Eu também escrevi para Carolyn diretamente. Eu não recebi nenhuma resposta. Isso foi a duas semanas e meia. Como devo dar prosseguimento com Carolyn e a recrutadora na Empresa A?

A oportunidade de trabalho da empresa B está andando mais rápido, mas o processo de contratação está parado de uma forma diferente.

Eu tive duas entrevistas na Empresa B. Agora eles estão verificando as minhas referências. Primeiro eles disseram que não conseguiam entrar em contato com nenhuma das minhas referências, mas os números e endereços de e-mail que lhes dei estavam corretos e meus indicadores dizem que ninguém entrou em contato com eles.

Eu tive que entrar em contato seis vezes com o recrutador para conseguir passar a mensagem. Ela me enviou uma mensagem de e-mail com duas palavras em que dizia “Muito obrigado“, e então eu não recebi mais nenhuma resposta dela novamente.

Agora, três semanas após a mensagem de agradecimento, a Empresa B acaba de me enviar um link para um site de verificação de antecedentes online. Eu entrei no site com as credenciais que a recrutadora me deu e elas não funcionaram. Eu escrevi à recrutadora duas vezes e liguei uma vez, sem resposta.

Como posso chamar a atenção dela?

Muito obrigado Lyz.

Derek

Observa-se claramente que esta carta trata de um pedido de aconselhamento, precedido e entremeado de um disfarçado desabafo. Quase que um pedido discreto de socorro! É sabido e notório que norte-americanos não são necessariamente pessoas conhecidas pelo conformismo ou por desconforto com situações extremas.

Mas são seres humanos como a maioria de nós, sujeitos às mesmas fraquezas, sentimentos e reações que a maioria da raça humana está sujeita no seu dia-a-dia.

É perceptível no entanto o desapontamento do Sr. Derek, com o tratamento impessoal, arrogante, frio e displicente do pessoal de gestão de RH das empresas A e B.

Aqui cabe uma avaliação bem curta, grossa, rápida e direta: algum dos amigos que nos leem nesse exato momento perceberam alguma semelhança com situações que vocês próprios já viveram em suas carreiras? Aqueles que tiverem experimentado a sensação de “deja vu” estejam convidados a comentar e dissertar a respeito.

Sigamos com o texto, abordando agora, a resposta contundente da cronista Lyz Ryan:

Caro Derek,

Vivemos em um mundo cheio de processos. Nós crescemos aprendendo a parar no sinal vermelho, a pagar nossas contas em dia e esperar que as rodas da burocracia andarem.

Nós temos que pagar nossas contas. Temos de parar no sinal vermelho por razões de segurança. Estamos todos acostumados a processos burocráticos e familiarizados com atrasos na comunicação. Podemos até mesmo parar de percebê-los.

Muitos aspectos da vida adulta, como as luzes vermelhas e o pagamento de contas, são fixos e não podemos mudá-los. A sua carreira não é um deles!

Você está perdendo a floresta pelas árvores, Derek. Não há como dar prosseguimento com a grossa da Carolyn ou com a recrutadora que não consegue entender como verificar as referências. Ambas as empresas (A e B) estão enviando-lhe mensagens altas e gritantes de que eles não dão à mínima se eles nunca mais irão vê-lo novamente. Você merece coisa melhor!

Você não vai encontrar o seu local de trabalho humanizado até que você a começar a dizer “Não!” para interações insultantes como as duas que você descreveu em sua carta.

Se você acredita que você é digno de um emprego com pessoas que respeitam o seu tempo e talentos, então você vai encontrar um. Até agora, você tem rastejado e se humilhado para conseguir trabalho, e onde é que isso levou você?

Muitos candidatos, compreensivelmente, sentem que eles não têm o direito ou o poder de negociação para lutar pelo que eles merecem, mas ao mesmo tempo a minha caixa de entrada é inundada diariamente com mensagens como a sua. Locais de trabalho desumanos estão cheios de pessoas que esperam que os candidatos rolem e implorem por uma vaga.

Os inteligentes e capazes como você tentam entrar no jogo, e veja o que acontece! Eles são tratados ainda pior, quanto mais tratamento horrível eles tolerarem

Acontece da mesma maneira com os nossos amigos e parceiros românticos. Quando valorizamos a nós mesmos, outras pessoas vão ver a nossa centelha também. Quando nós toleramos o abuso, recebemos mais abuso em trocaOs cinco sinais de um candidato desesperado são:

    • Ansiedade excessiva em retornar chamadas e e-mails instantaneamente e em executar qualquer tarefa ou atribuição que um gerente de contratação possa imaginar.
    • Um foco durante todo o processo de entrevista em agradar pessoas que conhece (ao invés de explorar a ideia de colaborar, com valor para ambos os lados).
    • Infinita flexibilidade por parte do candidato a um emprego quanto às peculiaridades das especificações da vaga, quando as entrevistas são reagendadas e canceladas e o processo sofre uma parada ou cai no esquecimento sem nem mesmo um agradecimento por e-mail.
    • Marketing pessoal excessivo (como o envio de uma mensagem de agradecimento por e-mail que inclui uma lista denominada “Dez Razões Porque Você Deve Contratar Kami Smith para Esta Oportunidade“)
    • ausência de qualquer limitereserva ou opinião sobre a vaga em si ou o processo de contratação por parte dos candidatos, não importa quanto de abuso seja cometido contra eles.
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Você pode tentar dobrar-se no formato de um pretzel para agradar as pessoas, mas não funciona. Você vai acabar perseguindo um rato dentro da sua toca para sempre.

No mundo do trabalho como na vida, o desespero não é uma característica atraente. O candidato a emprego mais desesperado e mais conformado não é muitas vezes a pessoa que recebe o trabalho.

Este é um grande momento para parar e fazer um balanço de sua carreira, Derek. Pense sobre “quantos dragões você já matou” e decida quais são os seus padrões de procura de emprego.

Algumas pessoas definem padrões como estes:

    • Se um recrutador me contata, devo procurar o seu perfil no LinkedIn e descobrir como conseguiram meu nome, e depois falarei com eles, se tudo parecer e soar razoável. Vou dizer-lhes de antemão que, se eles não têm uma vaga específica para preencher imediatamente, eles precisam me dizer logo de cara.
    • Devo dizer ao recrutador qual a faixa salarial que estou procurando, mas não o que eu estou ganhando agora ou o que eu ganhei no meu último trabalho. Se eles não divulgam dados salariais confidenciais da empresa, então por que eu deveria divulgar os meus?
    • Se for falar com um recrutador de uma empresa em uma entrevista de triagem por telefone, então devo fazer perguntas, e se não me for dada a oportunidade de fazer perguntas nessa ligação, devo dizer-lhes para tirar o meu nome da lista de candidatos e desligar o telefone.
    • Se for para uma entrevista pessoal de emprego e vou me preparar cuidadosamente para ela, não vou trabalhar de graça ou dedicar mais de uma hora para qualquer tarefa extra que o empregador der, e vou deixar isso bem claro. Vou deixar o recrutador saber que eu posso ser consultado em uma base de homem-hora, se o empregador quiser usar meus serviços.

É um novo dia, Derek.

Os Candidatos Ovelhas são tratados como gado e, pessoas que buscam uma experiência de humano para humano são tratadas como seres humanos. Nós os chamamos de Candidatos Fortes.

Será que os Candidatos Fortes têm menos oportunidades para escolher? Sim, claro! Eles percebem que certos anúncios de emprego não são dignos de seu tempo – eles identificam isso imediatamente. Eles recebem determinadas chamadas de recrutadores e desligam o telefone dois minutos depois.

Você pode pensar que telefonemas curtos eliminam oportunidades. Na minha experiência, os telefonemas curtos trazem melhores oportunidades!

Assim é em qualquer empreendimento da vidadar o passo para um nível superior tem enormes vantagens, mas obriga-nos a dar um passo que pode parecer assustador no começo.

Espero que quando você pensar sobre isso, você vai ver que as empresas A e B impulsionaram você a finalmente valorizar a si mesmo, a deixar as duas no seu espelho retrovisor e seguir em frente no seu caminho!

Boa Sorte,

Lyz

Após ler e refletir muito sobre esse texto, percebi que muitas críticas, aconselhamentos, recomendações e sugestões profissionais que eu recebi, não só recentemente, mas ao longo de uma vida inteira, não eram apenas superficiais e contestáveis.

Eram dicas repassadas por pessoas já habituadas a servirem como meros replicantes da programação neuro-linguística do status quo vigente, aos famosos candidatos ovelha (Sheep Job Seekers), muito bem citados pela autora em seu texto (ou dos profissionais ovelha, estes já devidamente doutrinados a serem o gado do sistema, os ciborgues programados para trabalhar e se submeter até serem abatidos).

Ou eram coisa pior ainda: seriam comandos repassados diretamente pelos servos intermediários do status quo, os famigerados gestores de RH dos velhos e constantes tempos da velha forma de administrar.

Essa gente que apesar de trabalhar para uma área que se por mais que se denomine como Recursos Humanos, nos trata apenas como recursos, os quais são explorados até a exaustão, mas que jamais nos tratarão com o reconhecimento das limitações que possuímos, a dignidade, o respeito e a consideração que merecemos como seres humanos.

Se entrarmos em uma análise mais profunda do texto de Lyz Ryan, ele nos deixa claro uma ideia, uma tecla na qual eu venho batendo a muito tempo, a despeito do que as demais ovelhas do rebanho de conformados, que têm dito para que eu não seja tão arrogante, que eu seja mais humilde:

Que nós precisamos nos valorizar! Que nós precisamos nos dar ao respeito! Que nós não precisamos nos submeter em nome de uma falsa noção de humildade, à arrogância desses gestores de contratação!

O que Lyz Ryan deixa bem claro é que não é por causa da situação desconfortável de estar desempregado, de que nós temos obrigações a cumprir, contas a pagar, que nós devemos nos sujeitar a uma postura de submissão dos processos seletivos atuais.

A maioria de nós, aqui no Brasil (pelo menos, os milhões de desempregados, entre os quais, eu me incluo) tem visto processos seletivos mais abusivos possíveis, que vão desde:

  • Vagas oferecidas com denominações diferentes das atribuídas às funções que serão desempenhadas pelo funcionário (ex.: contratar como Analista, mas especificar conhecimento e experiência relativas às de um Engenheiro), permitindo que se o burle piso salarial da categoria (vide Lei 4950-A/66).
  • Seleção de candidatos baseada em critérios preconceituosos, sendo os mais comuns:
    1. Sexismo (preconceito sexual: Machismo – Misandria ou Feminismo – Misoginia)
    2. Transgenerismo (preconceito contra os sexualmente transgêneros e LGBTs)
    3. Racismo (preconceito dirigido contra etnias/raças específicas em um contexto social)
    4. Etarismo (preconceito contra profissional à partir de/ou abaixo de certas faixas de idade)
    5. Sócio-Cultural e/ou Xenofobia (dirigido a pessoas de um enclave sócio-econômico, cultural ou regional específico, ou a estrangeiros e seus costumes)
    6. Sectarismo/Dogmatismo/Intolerância de Fé (preconceito de fé, seita ou religião) e,
    7. Assédio moral (seja ele real, escolar, empresarial ou público, quando aplicados no mundo real, seja nas escolas, nas empresas ou nas relações pessoais ou virtual, quando é aplicada na Internet, nas redes sociais, em sites de ofertas de vagas, de captação de currículos, coaching, entre outros).
  • O coaching inclusive é um caso à parte, porque existe o bom coaching e o mau coaching. E qual é a diferença? Sério, eu vou precisar explicar isso? É muito simples: É de uma perversidade e de uma imoralidade ímpares, querer cobrar por serviços de busca de profissionais para atendimento a vagas ofertadas no mercado, aos mesmos profissionais desesperados em função da situação de desemprego. O mau coaching é a mesma coisa na prática que cobrar propina para facilitar um negócio. Simples assim! É a corrupção se tornando criativa e levando empresas de RH que deveriam ser o elo de ligação entre bons profissionais e boas empresas em profissionais da agiotagem da empregabilidade. E eu encerro aqui a minha visão pessoal sobre essa mais nova forma de canalhice da humanidade.
  • A situação do bom coaching, do verdadeiro coaching é outra. No caso específico de um profissional que está querendo a melhoria da própria vida profissional e que busca um emprego e uma posição condizentes com essa busca e que possui os recursos para investir na CONTRATAÇÃO de um serviço de coaching para auxiliar o profissional nessas condições, esta visão se aplica, é bem vinda e deve ser respeitada. O que não pode são as empresas de RH confundirem uma situação com a outra

No momento minha situação, por exemplo, não é essa. E eu jamais me interessei pela contratação desse tipo de serviços, porque eu sempre julguei-me capaz de vender bem o meu perfil profissional. Mas, tendo em vista, outras situações que eu irei abordar posteriormente,  vou me abster de fazer comentários por ora.

Portanto, vou dar aos profissionais algumas dicas muito importantes, resultado de anos de prática no mercado de trabalho:

  1. Não é arrogância da parte de nenhum profissional se valorizar e querer receber o justo salário por isso.A categoria dos profissionais de nível técnico e superior de Engenharias e Agronomia tem uma entidade (CREA/CONFEA) que nos cobra uma anuidade para garantir o respeito por alguns direitos adquiridos. Essa mesma entidade, deveria fazer o máximo possível para que nós e nossos colegas de área jamais fiquemos desempregados, exatamente para justificarem a cobrança anual de seus honorários, caso contrário, a sua própria necessidade de existir e ser por nós mantida, fica a mercê de ser devidamente questionada.
  2. Mas isso equivale a cumprir com algumas outras responsabilidades e deverespagar a ART, para se preservar o seu conteúdo de responsabilidade técnica e acervo de produção do profissional, estar em dia com as suas anuidadesobservar e praticar o código de ética profissional.
  3. Em contraparte, podemos trabalhar sob a “proteção do conselho”, de forma legalizada: estar em atraso ou não registrado no CREA/CONFEA e trabalhar com registro em carteira como profissional técnico, ou como Engenheiro, constitui exercício ilegal da profissão, (o que deveria ser considerado um absurdo, por se tratar de um dispositivo de lei imoral, autoritário e fascista!) e pode ser considerado como crime de responsabilidade, passível de cassação do diploma! (mais uma vez, um abuso autoritário, exercido em nome de uma casta elitista),  com garantias (que não existem em nenhum lugar do mundo, nem mesmo na CLT brasileira, outro entulho fascista!) de que podemos cobrar o nosso registro em carteira como profissional qualificado e com a obrigatoriedade de termos o nosso piso salarial respeitado, porque é um direito garantido por Lei (vide acima!).
  4. A questão de não possuir experiência, ou o registro em função sem relação direta por denominação com a função de Engenheiro, tem sido usada pelas empresas para justificarem pagamento de salários abaixo do piso e, que por mais que à luz da lei da oferta e da procura possam parecer aceitáveis (passíveis da livre negociação entre as partes), não procedem no âmbito das leis brasileiras (CLT e normas do sistema CREA/CONFEA0.
  5. Considerando a própria liberdade de mercadoQUEM FAZ O SALÁRIO É O PRÓPRIO EMPREGADO. Mas isso tem sido a causa inexorável de desemprego em massa, subemprego, desvalorização profissional, desestimulo a formação de novos profissionais e sucateamento do sistema técnico no país, com evasão acentuada de mão-de-obra e a subsequente não-renovação de quadros técnicos (abordarei isso em outro artigo!)
  6. Em outras palavras, o salário é resultado da negociação direta entre o empregado e o empregador e da razão entre o que o empregado produz e a sua taxa de retorno, ou seja é função direta da sua própria produtividade.
  7. Resumindo, se o salário é justoagrada ao empregadoatendendo as suas necessidades e ele trabalha satisfeitoproduzindo bem: ganham-se as duas partes, pois o empregador em contrapartida recebe resultados produtivos de todos aqueles a quem ele contratou nas mesmas bases. Caso contrário, todos já sabemos como acaba essa história.
  8. Complementando o que eu disse acima, as “leis de mercado” em relação ao trabalho, são bem claras: “o combinado não é caro e nem barato, é apenas o combinado!” Ou seja, quando há concordâncianão há pendência, portanto não pode haver questionamento. O empregado merece ser tratado com respeito. Da mesma forma como deve respeito ao seu empregador.
  9. Na hora da contratação, não constitui arrogância se valorizar, saber se impor, mostrar a que veio. Na verdade essas são as características que devem se sobressair.
  10. Infelizmente no Brasil se colocaram em prática, ao longo dos últimos anos, atitudes lamentáveis e posturas indecentes dentro das empresas em geral, e dos setores de RH como um todo, onde os privilégios da indicação (os favorecimentos, o famoso Q.I.Quem Indicou), o vitimismo protocolar (políticas de cotas como preconceitos às avessas), o preconceito descabido (sexismo, transgenerismo, etarismo, xenofobia, etc.), causando uma verdadeira onda de preferencialismo assistencialista e paternalista, que ao invés de promover eficiência, tem causado o desemprego, a desmotivação e até o abandono de áreas por determinados profissionais, por causa dos processos de contratação preconceituososdiscriminatórios e preferencialistas.
  11. Portanto, profissional, respeite-se! Valorize-se! Amanhã, poderá ser você ou seus filhos escrevendo textos como este ou pior: se submetendo como animais dóceis, rolando e implorando por uma vaga de emprego. Ninguém merece se submeter a isso. Se imponha!
  12. Não confundir essa postura com a verdadeira arrogâncianinguém é insubstituível! A vida me ensinou que humildade não é o mesmo que se submeter a humilhação (por isso devemos nos impor!). Mas devemos nos garantir. Mesmo o maior dos gênios não sabe tudo! Somos seres em constante aprendizado!
  13. Outra arrogância descabida é essa tendência bastante comum no Ocidente (mas graças à Deus, aos poucos vem sendo abolida!) e extremamente comum em um país tão eivado por ganânciacorrupção e malandragem como é o Brasil, de achar que cachorro velho não aprende truque novo (o chamado, apesar de ignorado velada e descaradamente ETARISMO – do qual eu mesmo tenho sido vítima, infelizmente, por exemplo).
  14. Na verdade existe uma lógica muito perversa na administração das empresas brasileiras em cometerem descaradamente o ETARISMO: ela se baseia no custo do profissional para empresa à partir de uma determinada faixa de idade.
  15. Considerando os padrões de saúde do brasileiro, da assistência social, dos salários pagos e dos padrões de vida em geral, o profissional brasileiro, à semelhança de outros países capitalistas em fase de industrialização e de crescimento mais aceleradoestá ficando mais velho e com uma população de idosos cada vez maior, e o custo da manutenção dessa parcela de profissionais mais idosos, cada vez maior, tem recaído mais e mais sobre as costas do empresariado.
  16. Que não é nem um pouco paternalista/populista e não tem mais tolerado com facilidade essa imposição da transferência da responsabilidade social da alçada dos governos para si.
  17. É preciso que tanto os profissionais em geral passem a cobrar mais respeito às suas experiências (como eu estou fazendo agora mesmo, com a minha mobilização através desse artigo), quanto as empresas façam a sua parte, cobrando por uma flexibilização tributária e burocrática maior, para que estas se liberem para um aumento de eficiênciaprodutividaderedução de custosaumento da rotatividade de capitais nos mercados interno e externomaior geração de empregos e uma fiscalização mais efetiva e flexível, permitindo que mesmo com uma carga tributária mais leve, não haja perda de recursos necessários para investimento no bem-estar social.
  18. E que tanto empresas, quanto empregados e cidadãos em geral façam a sua parte, fiscalizando, cobrando e reclamando quando a administração pública se mostra corrupta e ineficiente.

É preciso que o profissional brasileiro pare de olhar para os seus próprios pés, como se fazia ainda nos tempos da roça e passe a encarar os seus empregadores, os profissionais de avaliação e contratação e de RH diretamente nos seus olhos, sem temor, sem falsa humildade. Como já me dissera um conhecido profissional da área uma vez: cada um tem exatamente aquilo que merece!

Se você quer o que você acha que mereça, faça por onde merecer: comece aceitando e acreditando que mereça o que quer, e se imponha provando que pode e que vale!

Comece desde já, selecionando melhor as atividades em que se sobressai, que gosta de fazer, que tem competências para fazer bem feitas, nas quais pode ser efetivamente muito produtivo.

Saiba descrever melhor as suas verdadeiras competências. Escolha bem, com bastante critério, as empresas para as quais irá mandar as suas qualificações, o seu currículo. E acredite, às vezes a gente se surpreende.

Não é fato consolidado e garantido que as empresas grandes são as melhores para se mandar currículos: na verdade, essas são exatamente aquelas onde haverá maiores chances da seletividade preconceituosa ser imperiosa.

Por outro lado, não é sempre que se dá a sorte de mandar um currículo para uma empresa pé-de-chinelo, de fundo de quintal e ser bem sucedido.

Mas devemos lembrar que a Apple de Steve Jobs e Stephen Wozniak, a Microsoft de Paul Allen e Bill Gates, a GE de Thomas Edison, a IBM de Herman Hollerith, entre outras começaram de pequenos empreendimentos deles, literalmente como um pequeno negócio, quase que de fundo de garagem: toda boa ideia tem um começo simples.

Eu poderia até citar exemplos mais familiares, mas por uma visão inata de modéstia e uma boa dose de sensatez me sugerem que não é a hora.

Acredite no empreendedorismo das start-ups! Acredite no seu próprio empreendedorismo! Tenha uma boa dose de fé!

Como último exemplo, cito que o maior empreendedor de todos os tempos no campo do entretenimento, indo da cinematografia aos parques temáticos, começou desacreditado e de baixo, mas escreveu como os outros que eu citei acima, o seu nome na calçada do sucesso e da fama, porque jamais desistiu, mesmo com todas as dificuldades, e cujo lema, inspirou seus sucessores até hoje, com um conselho, para que todos se lembrem sempre – se não deu certo, não desistam!

Façam como ele disse:.

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